Frio, fundo, escuro.
Chegou tão longe. Peço que pare, não posso aguentar.
A nossa discórdia tomou um rumo sério e dimensões enormes.
Desculpe, eu não posso suportar.
Agora entre querida, não sinta o frio, não queira.
Eu não quero ter que te dizer que ele só piora e dramatiza, só escurece e entristece.
Entre querida, não quero perder o brilho dos teus olhos por uma lembrança inundada de tristeza.
Vamos entre, eu preciso chegar em casa e me aquecer, eu estou piorando.
Entre porque no fum, tudo que vai ficar são as lembranças, e eu não quero que elas congelem.
Ó querida, aqui estou eu tão bem aquecido.
Lembrei do seu rosto no verão resplandecendo a luz natural de um dia comum, que me arrepiou o corpo só de olhar. Lembrei de que me fez feliz. Lembrei então de que ao seu gostar eu tive de dar as costas.. Lembrei que eu coloquei um guardinha fora, aqui na portinha da minha consciência e pedi com educação que o seu nome, toque, apelido, senso de humor, perfume, brincadeira, roupa, imagem, sorriso, olhar e tudo que viesse de você não entrasse.
Ele estava fardado de vermelho, e armado com insensibilidade. Não se magoe, não tente.
Fique aí, aqueça-se. Eu já me aqueci o suficiente e vou continuar na eternidade me aquecendo.
O inferno não é como todos pintam querida, é bem pior.
Aqueça-se porque meu guardinha falhou, todas as suas lembranças me invadiram junto á uma abstinência horrível, eu não pude suportar.
Não congele o meu eu que ainda ainda existe em você.